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Checklist simples para revisar código gerado por IA

Um checklist prático para revisar código gerado por IA com contexto, critérios técnicos, testes, manutenção e validação antes de usar no projeto.

IARevisão de códigoDesenvolvimentoCritério técnico

Código gerado por IA pode acelerar partes do desenvolvimento, mas precisa ser entendido, adaptado, revisado e validado antes de entrar no projeto.

Editor de código em tema escuro com checklist de revisão técnica para código gerado por IA.
Revisar código gerado por IA envolve contexto, padrões do projeto, validação e capacidade de explicar a decisão.

Contexto

Tenho usado IA como apoio em estudos, planejamento, escrita e desenvolvimento. Ela ajuda bastante quando a ideia ainda está solta, quando preciso comparar caminhos ou quando quero uma primeira versão para revisar.

Mas uma coisa fica cada vez mais clara: código gerado rápido não é necessariamente código pronto.

Às vezes a resposta compila. Às vezes a estrutura parece organizada. Às vezes o trecho funciona no exemplo isolado. Mesmo assim, ainda pode estar desalinhado com o projeto, criar complexidade desnecessária, ignorar componentes existentes ou resolver um problema diferente do que precisava ser resolvido.

Por isso, tenho tentado tratar código gerado por IA como ponto de partida. Ele pode ser útil, mas precisa passar por entendimento, adaptação, revisão e validação antes de ser considerado parte do projeto.

Problema ou pergunta

A pergunta que guia este post é simples: o que revisar antes de aceitar código gerado por IA?

Esse cuidado importa porque a IA pode entregar uma resposta plausível. E resposta plausível é perigosa justamente porque parece boa o suficiente para passar sem muita atenção.

No desenvolvimento, não basta perguntar se o código funciona no primeiro teste. Também é preciso perguntar:

  • ele resolve o problema certo?
  • combina com a estrutura atual do projeto?
  • usa os componentes e helpers existentes?
  • cria dependência ou abstração sem necessidade?
  • preserva acessibilidade e responsividade quando há interface?
  • passa pelas validações disponíveis?
  • eu consigo explicar essa decisão depois?

Esse tipo de revisão não precisa virar um processo pesado para toda pequena alteração. Mas, quando a IA participa da criação do código, um checklist simples ajuda a não confundir velocidade com qualidade.

Caminho testado

O caminho que venho usando começa antes do código.

Primeiro, tento entender o problema. Se a solicitação para a IA estiver vaga, a resposta tende a seguir o mesmo caminho. Então vale separar objetivo, contexto, restrições e critério de validação antes de pedir uma solução.

Depois, quando a IA gera uma proposta, eu não olho apenas para o trecho final. Tento comparar a resposta com o projeto real.

No caso do brunopaim.tech, por exemplo, isso significa observar se a solução respeita a estrutura em Nuxt, Vue, TypeScript e Tailwind; se usa componentes existentes quando faz sentido; se preserva o tom editorial; se não altera informações sensíveis; e se passa por validações como build ou geração estática quando a mudança envolve código publicado.

O checklist que tenho em mente é este:

  1. Entendi o problema que esse código tenta resolver?
  2. A solução respeita a estrutura atual do projeto?
  3. O código usa componentes, tipos e helpers existentes?
  4. A IA adicionou dependência, abstração ou complexidade sem necessidade?
  5. Estados, props, eventos e efeitos colaterais fazem sentido?
  6. A interface continua acessível e responsiva, quando aplicável?
  7. Existe risco de informação sensível, comportamento inseguro ou dado inventado?
  8. Rodei as validações disponíveis?
  9. Consigo explicar por que essa solução foi escolhida?

Esse checklist não é uma garantia. Ele é um filtro inicial para transformar uma resposta gerada em algo que pode ser avaliado com mais critério.

Exemplo prático

Imagine uma alteração pequena em um componente Vue.

A IA pode sugerir criar um novo botão, adicionar classes direto no componente e resolver visualmente o problema. Em um teste rápido, pode parecer suficiente. Mas, se o projeto já tem um BaseButton, talvez a melhor revisão seja perguntar por que a solução não está usando o componente existente.

O mesmo vale para badges, cards, helpers de data, dados localizados ou padrões de SEO. Se já existe uma convenção no projeto, a resposta precisa conversar com essa convenção.

Outro exemplo: a IA pode sugerir instalar uma biblioteca para resolver algo simples. Antes de aceitar, vale perguntar:

  • essa dependência é realmente necessária?
  • o problema pode ser resolvido com o que já existe?
  • essa escolha aumenta manutenção futura?
  • ela combina com o escopo da tarefa?

Também pode acontecer de o código funcionar, mas criar um caminho difícil de manter. Um trecho muito específico, duplicado ou cheio de exceções talvez resolva o problema imediato, mas cobre o projeto com pequenas decisões que ninguém quer revisar depois.

Por isso, para mim, revisar código gerado por IA passa menos por procurar erro óbvio e mais por verificar encaixe. A pergunta principal não é só "rodou?". É "isso faz sentido aqui?".

Aprendizados

  • Código que compila ainda precisa ser entendido. Passar no primeiro teste não significa estar pronto para o projeto.
  • Contexto muda a qualidade da revisão. Fica mais fácil avaliar uma resposta quando objetivo, escopo e restrições estão claros.
  • Componentes e padrões existentes importam. Uma solução boa em isolamento pode ser ruim se ignora a estrutura da base.
  • Complexidade extra precisa ser questionada. IA pode sugerir abstrações, dependências ou caminhos maiores do que a tarefa exige.
  • Validação prática continua necessária. Build, geração estática, testes ou lint, quando existem, ajudam a confirmar parte do resultado.
  • A última pergunta é pessoal: se eu não consigo explicar a solução, ainda não entendi o suficiente para usar.

Limites e ressalvas

Esse checklist não garante que todo problema será encontrado.

Revisar código é uma atividade técnica e contextual. Em alguns casos, uma revisão simples basta. Em outros, principalmente quando envolve segurança, dados sensíveis, integrações, performance ou arquitetura, o cuidado precisa ser maior.

Também não acho produtivo tratar todo código gerado por IA como ruim. Muitas respostas podem ser úteis como ponto de partida, especialmente para explorar alternativas ou acelerar uma primeira versão. O problema é aceitar a resposta como final sem entender o que ela está fazendo.

Outro limite importante: validação automatizada ajuda, mas não substitui revisão humana. Um build passando não prova que a decisão é boa. Ele só confirma que uma parte do sistema conseguiu ser processada sem erro naquele momento.

Conclusão

O principal aprendizado é que IA pode acelerar a escrita de código, mas não remove a responsabilidade de revisar.

Para mim, o checklist funciona como uma forma de desacelerar o suficiente para não aceitar uma resposta só porque ela parece pronta. Entender o problema, conferir o contexto, avaliar padrões existentes, testar e conseguir explicar a solução ainda fazem parte do trabalho.

IA ajuda bastante quando entra no processo como apoio. Mas o critério técnico continua sendo o que decide se o código realmente faz sentido para o projeto.